Um levantamento da Globo News obtido por meio da Lei de
Acesso à Informação mostra que 36.756 unidades do programa Minha Casa Minha
Vida estão paralisadas no Brasil. Hoje, o país enfrenta um déficit habitacional
de 6 milhões de unidades. A maior demanda, 40%, está concentrada no Sudeste,
seguida por Nordeste (31%), Sul (11%), Norte (10%) E Centro-Oeste (8%).
Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do
Mackenzie Valter Caldana, as obras paradas não prejudicam somente quem precisa
de moradia.
"É uma tragédia. Por quê? Primeiro porque reforça a
ideia de que a política de habitação é uma política assistencial, é uma
política de caridade - não é isso. Não se economiza nesse tipo de política
pública, habitação, saúde e educação. Por quê? Porque quando você faz esse tipo
de política, você não está fazendo caridade. O beneficiado não é aquele
beneficiado direto. Esse tipo de política - ela se chama política pública
porque beneficia a todos. São políticas que constróem a qualidade de vida
coletiva. Por isso elas são fundamentais. Paralisar o Minha Casa Minha Vida é
uma pequena tragédia", afirmou.
O Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, que é
o principal financiador do programa, divergem quanto ao número atual de obras
paralisadas.
Veja o que dizem:
Ministério das Cidades
"Desde o início da atual gestão do Governo Federal, uma
das prioridades do Ministério das Cidades foi a retomada de obras paralisadas
no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida que contava com cerca de 89.958
unidades paralisadas. Nesse sentido, o Ministério já autorizou até esta data, a
retomada de 55.808 mil unidades habitacionais em todo Brasil. Ressaltamos que
apesar do contingenciamento, o modo de gestão não permitiu que o andamento das
obras fosse prejudicado.
Salientamos que as solicitações de retomadas devem ser
solicitadas pelas instituições financeiras. Das 89.958 que estavam paralisadas,
61.477 já solicitaram formalmente e o Ministério das Cidades já autorizou
55.808, das 5.669 restantes o Ministério já solicitou os documentos pendentes.
As 28.481 que restam ainda não solicitaram a retomada por meio das instituições
financeiras.
Esses números representam uma redução significativa em
relação ao quadro encontrado de obras paralisadas. Informamos que o Ministério
das Cidades continuará envidando esforços no sentido de garantir a retomada das
obras e o pagamento tempestivo das solicitações de recursos financeiros
encaminhadas pelas instituições financeiras."
Caixa Econômica Federal
"Com relação ao total de unidades habitacionais
paralisadas do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), informamos que
atualmente totalizam 31.101 unidades e que por diretriz estratégica todas se
encontram em fase de retomada de suas obras, considerando que a disposição do
Governo Federal é de não possuir nenhum empreendimento com obras
paralisadas."
No ano de 2017 foram retomadas as obras de 26.474 unidades
habitacionais da Faixa I do PMCMV.
A Caixa informa ainda que já realizou a contratação de
4.349.510 unidades habitacionais desde o lançamento em 2009 do PMCMV. Desse
total, 3.474.674 unidades habitacionais já foram concluídas e entregues para as
famílias beneficiadas pelo Programa.
Na Faixa I do Programa já realizou a contratação de
1.425.902 unidades habitacionais, tendo concluído e entregue o total de
1.111.493 unidades. Ressaltamos ainda que o PMCMV, incluindo outros agentes
financeiros que atuam no Programa, já beneficiou mais de 14,72 milhões de
pessoas, em todo o país, com a entrega de 3,68 milhões de moradias. "
Resultado de 2017
O governo anunciou em fevereiro do ano passado a meta de
contratar 610 mil novas unidades habitacionais em todas as modalidades do
programa.
Questionado pelo G1 na semana passada sobre o cumprimento da
meta, o ministro Alexandre Baldy informou que foram celebradas cerca de 495 mil
contratações.
"Objetivo para 2018 é justamente alterar os
procedimentos nas seleções que foram realizadas, especialmente no faixa 1, que
visa atender a população de baixa renda", acrescentou o ministro.
No caso da faixa 1, que beneficia as famílias mais pobres,
Baldy afirmou que em 2017 foram 23 mil contratações realizadas e que as obras
já tiveram início.
Para 2018, o ministro assegurou que os recursos do orçamento
federal liberados são suficientes para cumprir a meta de 130 mil contratações.
“Temos uma meta que é possível alcançar frente ao orçamento que está
disponibilizado para o que é de recurso da União”, assegurou.
Baldy não quis dar um prazo para a realização das obras
contratadas. Apenas disse que acredita ver os empreendimentos concluídos em um
prazo "exíguo".
"Com recursos que tenhamos assegurados, nós acreditamos
que as obras serão realizadas no prazo mais exíguo possível", disse.
Durante o anúncio, Baldy informou que, além de contratar
novas unidades do programa habitacional, o governo tem retomado obras. Segundo
ele, de 73 mil unidades que estavam paradas, cerca de 42 mil foram retomadas.
O restante, conforme a assessoria do ministro, aguarda a
autorização da Caixa Econômica Federal para o recomeço dos trabalhos.
fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/mais-de-36-mil-unidades-do-minha-casa-minha-vida-estao-paralisadas-no-pais.ghtml
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