terça-feira, 8 de agosto de 2017

LAUDO DE CARACTERIZAÇÃO DA VEGETAÇÃO

Objeto: Implantação de Empreendimento Habitacional de Interesse Social ( Moradia Popular) Programa “Minha Casa Minha Vida-Entidades” 
Interessado: Movimento Livre Nova Ribeirão
Local: Avenida Mario Covas, Cad: 130.470 e Matr: 32.820
Cidade: Ribeirão Preto, SP.                

1.      OBJETIVO

Este laudo tem o objetivo de caracterizar a vegetação existente na propriedade acima citada, de acordo com critérios estabelecidos pela Resolução CONAMA 10 de 01/10/1993, Resolução CONAMA 01 de 31/01/1994 e Resolução Conjunta SMA/IBAMA/SP numero 01 de 17/02/1994. Resolução Conama 07 de 13/07/96.

2.      MÉTODO DE AVALIAÇÃO

O método de avaliação da vegetação está baseado em dados qualitativos e quantitativos obtidos durante visita ao local. Foram consideradas a fisionomia, os extratos dominantes, a existência e diversidade de espécies.

3.      CARACTERíSTICA DA REGIÃO

O terreno está situado em área de expansão urbana, no Município de Ribeirão Preto, SP, com o entorno praticamente todo urbanizado. O local está próximo a Rodovia Alexandre Balbo, com acesso pela Avenida Mario Covas, na face leste após o córrego Ribeirão Preto está o Terminal de Petróleo e o Conjunto Habitacional Adelino Simioni,    

 na face sul, o Conjunto Habitacional Valentina Figueiredo, na face sudoeste o Bairro Jardim Heitor Rigon, na face oeste os empreendimentos imobiliários estão em fase de implantação, na face norte existem algumas áreas sem uso definido, a Rodovia Alexandre Balbo e outras áreas com culturas anuais ou com parcelamentos do solo em fase de implantação.


1.      DESCRIÇÃO DA ÁREA DO EMPREENDIMENTO

A Gleba está cadastrada no município sob o numero 130.470, matriculada no 1º Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto, sob o numero 32.820. A área total do empreendimento abrange 38.181,00m2, porem descontados a Área de Preservação Permanente (APP) do córrego Ribeirão Preto e o sistema viário (Avenida Mario Covas e sua marginal) abrangendo 3.873,46m2, restam à área remanescente 34.307,54m2.

A área está situada na microbacia do córrego Ribeirão Preto e na bacia do Rio Pardo.  O relevo apresenta declividade moderada, condicionando um escoamento pluvial considerado de média energia, que segue em direção ao córrego Ribeirão Preto.  A altitude varia entre 497 a 522 metros. A gleba em questão está na porção do município interna ao anel viário.

A porção mais elevada da gleba foi invadida por moradores sem teto e desocupada recentemente. Este local, onde existem árvores isoladas, se mostra degradado pelas ações antrópicas. Conforme plano diretor municipal, a gleba está em Zona de Uso Especial (ZUE-1), isto é sobre os arenitos da Formação Botucatu e sedimentos cenozoicos superficiais. O solo observado é coluvionar, com textura silto argilosa, de cor vermelha escura, porosa, profundo e bem drenado. Não foram observados pontos de erosão no local em questão.

Nos níveis mais baixos da gleba, após a abertura da Avenida Mario Covas, a região no entorno da área objeto foi profundamente alterada. O aterramento do entorno e das vias publicas, executados acima da cota de inundação dos cursos de água córrego Seco e córrego Ribeirão Preto, não permitem mais o processo natural de absorção na porção mais baixa da gleba, mapeada anteriormente como planície de inundação, atualmente descaracterizada totalmente desta função apesar da presença de solos colapsiveis (turfa e argila orgânica), típicos de ambiente de várzea. Nas ocasiões de estiagem prolongada, com o rebaixamento do lenção freático local, é comum a camada de turfa entrar em combustão, induzida pela pratica de limpeza de terrenos de vizinhos com fogo. Podemos observar que uma faixa da gleba, próximo da Avenida Mario Covas, foi utilizada para depósito de resíduos do construção civil. No dia da visita o local estava fechado e sem uso definido.

Foram identificados 129 indivíduos arbóreos na gleba em questão, o cadastramento das árvores tomou como base o levantamento topográfico fornecido pelo cliente.

Os indivíduos arbóreos estão localizados nos níveis mais altos, formando um pequeno bloco entre as cotas 520 e 518, pode ser observado na foto F3. Seguindo em direção aos níveis mais baixos, as arvores se dispersam como pode ser observado nas demais fotos.  Observamos outro bloco de árvores entre as cotas 505 e 498. Na porção mais alta da gleba o solo está desnudo ou recoberto por gramíneas, apenas entre as cotas de nível 500 e 498, foi observado uma brotação espontânea em baixo das árvores existentes, formando um pequeno sub-bosque, ver foto F44.

Na porção mais baixa da gleba, onde o terreno é quase plano os exemplares arbóreos estão isolados, em baixa densidade, o solo está recoberto por gramíneas, mamona (Ricinus cummunis) e outras espécies invasoras como a leucena (Leucaena leucocephala), ver foto F46, F47. F48, F49, F50. Próximo da Av. Mario Covas, onde foi depositado os resíduos da construção civil, observamos a maior incidência de mamonas, ver fotos F51, F52, F53 e F54.  Numa das divisas existe uma cerca viva de sanção do campo (Mimosa caesalpineafolia).

Na APP (Área de Preservação Permanente) do córrego Ribeirão Preto, a vegetação existente pode ser caracterizada como vegetação secundaria em estágio médio de regeneração, o dossel está entre 2,00 a 6 metros, ver fotos F55, F56 e F57.

O habita critico da fauna silvestre existente na gleba está localizada na APP do córrego Ribeirão Preto, as demais áreas estão antropizadas e degradadas, transformadas pela invasão de sem tetos como também pela deposição de resíduos da construção civil em alguns locais.

A vegetação arbórea presente na área é composta de espécies nativas do Bioma da Mata Atlântica e Cerrado

Das espécies identificadas na gleba em questão, uma está classificada com quase ameaçada (QA)  de extinção no Estado de São Paulo, sendo a espécie Guarea guidonea

As espécies existentes estão relacionadas na Tabela 1 em anexo. Na Planta Ambiental as árvores isoladas estão identificadas com legenda própria
O volume de madeira a ser retirado será calculado com a fórmula:
V(m3) = 0,00007854 x (dap) x (dap) x A x FA; onde;
V ( m3) = volume em metros cúbicos
0,00007854 = constante
(dap) = diâmetro na altura do peito em centímetros ( h=1,30 metros do solo)
A = altura em metros, levando em consideração o tronco de madeira aproveitável e não a altura da galhada da copa
FA = fator de aproveitamento relacionado a proporção aproveitável do tronco apresentado, qualidade do tronco com bom fator de aproveitamento = 0,9

A extração das árvores isoladas para implantação do empreendimento deve ser autorizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Ribeirão Preto.

A Intervenção em APP (Área de Preservação Permanente) para a implantação de galeria para escoamento da água pluvial até o córrego Ribeirão Preto, deve ser autorizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente.


Segue relatório fotográfico atual área em questão.







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Interessado: Federação Nacional das Entidades Habitacionais dos Empregados nos Correios, Telégrafos e Similares
Movimento Livre Nova Ribeirão


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Responsável Técnico: Engenheiro Agrônomo Fausto Pereira Lima
CREA: 060.010.812-8  ART: 922212 2015 1659208


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Autora do Projeto: Arquiteta e Urbanista Maria Teresa Pereira Lima
CAUSP: A97678-4  RRT 4258720


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